Vestibular de Medicina da USP terá Cotas Raciais e adesão ao Enem





Decisão deve valer a partir do ano de 2018. Objetivo é incluir o estudante que vem de escola pública a Universidade de São Paulo.

Com 100 anos de história, a Universidade de São Paulo (USP) se destaca no ensino em território brasileiro. E pela primeira vez a Faculdade de Medicina da instituição, a FMUSP, estará aplicando a política das cotas raciais com quem ingressar no curso de medicina, que possui o maior prestígio no país.

A adesão do Sistema de Seleção Unificada, o Sisu, que utiliza a nota de cada candidato do Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, teve a sua aprovação na última sexta-feira, dia 30 de junho, pela Congregação da faculdade. Uma informação confirmada pelo professor e diretor da FMUSP, José Auler Júnior, ao que tudo indica, em 2018, das 175 vagas ofertadas para o curso de medicina, 50 serão selecionadas por Sisu/Enem.




Sendo assim, desse total, 25 são para candidatos em ampla concorrência, 15 para candidatos que estiveram em rede pública e que se autodeclaram indígenas, pretos e pardos e, por fim, 25 para pessoas que tenham cursado o ensino médio em alguma escola pública.

Já as demais 125 ainda serão oferecidas pela Fuvest, como já vinha acontecendo. A seleção para esses é pelo tradicional vestibular, aplicando uma política progressiva de bônus para quem for estudante de escola pública ou, ainda, que se autodeclaram indígenas, pretos e pardos.


Um momento importante para a história da Faculdade de Medicina da USP, essa política de cotas raciais é uma tentativa de incluir o estudante que vem das escolas públicas dentro do contexto da Universidade de São Paulo. Só em 2017, os calouros que vieram de rede pública atingiu o recorde de 36,9%. A meta é que, em 2018, 50% de todos os calouros venham de rede pública.

Na USP, cada unidade presente na universidade têm a autonomia, desde 2015, de aderir ou não ao Sistema de Seleção Unificada. Já no mesmo ano, 85 de um total de 143 cursos de graduação aderiram parcialmente ao Enem. Os demais 58 mantiveram 100% de vagas para o processo seletivo da Fuvest por vestibular.

Feita a experiência e passado um ano, esse número das vagas que são destinadas ao Sisu aumentou 57%. Nesse mesmo período, o crescimento na quantidade de vagas que eram reservadas para cotas raciais cresceu em torno de 376%.

Considerado, portanto, um passo importante para a democratização do curso de medicina, a Faculdade de Medicina foi um dos últimos a aderir ao Sisu. Sendo uma proposta do Conselho de Graduação, ainda é importante ressaltar que outros cursos da faculdade, como terapia ocupacional, fisioterapia e fonoaudiologia, também participarão com vagas destinadas para a seleção unificada.

Kellen Kunz



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